27.8.08


talvez eu escreva um livro sobre aversão a casamento e filhos. tenho falado sobre isso nos últimos quatro anos desse blog, e nos que vieram antes desse também. já devo ter atingido uns 80 motivos pelos quais nenhuma das duas coisas me atrai. mas acho que finalmente cheguei no meio dos vinte. e se você pensa que eu vou dizer que isso significa que eu acho que é hora de mudar meus conceitos sobre essas coisas, é melhor você mudar seus conceitos sobre mim.

na verdade, o que acontece é que, de repente, não mais que de repente, meus amigos começam a falar em casamento, falar em filhos, casar, parir e abortar. assim, tudo junto ao mesmo tempo agora. querendo ou não, eu já estive numa quantidade de casamentos que nenhuma dessas pessoas jamais vai participar, então sempre tenho o que falar sobre cerimoniais, decoradores, buffets, casas de festa. conheço uma boa parte de todos eles. já tô esperando o dia em que uma juíza específica vai chegar e me dar um soquinho no ombro e dizer "você de novo, garotona!". já tô num nível em que todas as decorações são idênticas, em que todos os docinhos são feitos sempre pelas mesmas três ou quatro doceiras, que os buquês são invariavelmente iguais, em que os cabelos são iguais mesmo, principalmente nos salões que garantem exclusividade. pra mim, nada disso tem magia nenhuma. na melhor das hipóteses tem cifras, e alguma delas vai parar na minha conta.

sobre filhos eu já posso falar menos. mas menos não significa nada. já estive em um sem número de festas infantis e somo quase três meses de fotografia de papai noel. se eu não sei como é cuidar de uma criança, pelo menos eu já sei quase todos os momentos da vida de uma em que eu gostaria de esganá-la. estar no papai noel permite que você acompanhe toda a vibe consumista dos pequenos trombadinhas. nas duas chances que tive de ouvir o que eles queriam de presente, nunca ouvi nenhuma delas dizendo que queria lego ou massinha. como pode uma criança crescer sem comer peça de lego e grudar massinha no tapete? que raio de infância é essa? eu que não quero botar um filho no mundo pra comprar hot wheels e play station.

isso parece conversinha de tia magoada que não passa mais de um mês com a mesma pessoa e que come anti concepcional como se fosse uma dose diária de chocolate. aquela coisa orgasmática toda de saber que não vai ter que, tão cedo, acordar pra trocar fralda de ninguém.

mas se consola alguém e diminui minha posição de futura tia-solteirona, prometo que vou cuidar dos filhos das amigas e chorar em todos os casamentos. comovi?


postado às 22:49 |

26.8.08


passei anos da minha vida cultivando uma falsa imagem do fotojornalismo. falsa imagem que, acredito eu, mora na cabeça de vocês idem. sonhava sempre com lugares bonitinhos, limpinhos, arejados e iluminados com cadeiras numeradas e sorteadas entre os veículos antes de pautas caos, pânico e comoção nacional.

e seguindo aquela linha de se acabar na vida profissional e acadêmica quando a vida sentimental se jogou da ponte, bati o pé e peguei uma dessas pautas que bota seu cu em jogo com o editor. não que o editor-chefe do jornal em que eu trabalho queira o cu de alguém (/veneno), mas as figuras de linguagem estão aí pra simplificar os pensamentos. aconteça o que acontecer, morra quem morrer, chute quem te chutar, pelo menos UMA foto vai ter que sair.

nessas eu parei na chegada de ketleyn quadros em brasilia. ai gente, repara nesse nome. porque o nome dela não é a mistura do nome do pai com o da mãe? ia ficar tão mais bonito, aposto. mas tá, vamos relevar porque a dita cuja ganhou uma medalha. de bronze, que não é ouro, mas também não é o oitavo lugar. olha que lucro!

enfim, voltemos para o meu batismo no fotojornalismo mesmo. porque tava muito fácil tirar foto de bueiro, lixo, transporte, rua e... será que eu cheguei a tirar foto de alguma outra coisa? uóreva. uma hora e meia antes já pedi um carro pra garantir que a pauta era minha. uma coisa meio fazer xixi no poste, assim. na hora marcada, cheguei lá, falei com os coleguinhas dos outros veículos e começamos a fazer uma espécie de parede para esperar a amiga chegar. pensei "meu deus, a civilidade no fotojornalismo existe!". sério que eu sou inocente assim? dois segundos do portão de desembarque abrir, nada mais me lembro. quer dizer, lembro. lembro que meu flash não disparou e eu perdi todo o desebarque triunfal. daí pra frente, JIU JITSU WAY OF LIFE. cotovelada, chute na nuca, maquinada na cabeça. esse negócio de não bater em menina de óculos está outside desse mundo. apanhei como se não houvesse amanhã. lógico que eu não tirei as melhores fotos da minha vida. nem conseguiria sendo tão newba e sem noção, mas eu juro que eu precisava disso pra continuar me animando no jornal.

depois dessa chegada em que aquela coisa minuscula deve ter jurado que era uma miss, uma gangue de fotografos e cinegrafistas teve que se organizar na sala de imprensa, ou de fato ia rolar uma guerra civil. disso sim eu ia querer tirar foto!

entre mortos, feridos, judocas medalhistas e andressas amadoras, ainda tive que seguir carro de bombeiro e ficar insatisfeita com praticamente 300 fotos. que bom que meu salário só entra daqui a dois meses. é a teoria da desmotivação.


postado às 20:58 |

25.8.08


hoje acordei me sentindo estranha... aquela sensação de tem mas tá faltando. só agora descobri o que era: tá faltando olimpíadas na minha vida. que que eu faço agora sem ver o brasil ficando em oitavo sem parar? até em prova que tinha sete competidores na final a gente ficava em oitavo. ai pequim, saudades.


postado às 21:45 |



de tempos em tempos eu entro em crise com a fotografia. não que isso seja realmente opcional a essa altura do campeonato, mas deve ser tipo um sentimento de servidor público responsável que não entende muito bem para que diabos ele passa o dia todo carimbando papéis. e então começando os pensamentos lineares: eu-podia-estar-roubando, eu-podia-estar-matando, eu-podia-estar-dormindo, eu-podia-estar-em-casa-de-pijama, mas não, estou aqui tirando foto de pedra fundamental de revitalização de setor central de brasilia, também conhecida como "pedaço de concreto irrelevante". e será que alguém lê essa notícia? será que eu mesma pagaria um real pelo jornal one eu trabalho com aqueles textos cheios de incorreções gramaticais e/ou ortográficas? provavelmente não.

mas nem só dessa crise eu vivo. eu coleciono crises. em breve sairei em bares convidando gatinhos pra virem até minha casa conhecer minha vigorosa e respeitável coleção de crises fotográficas ou não-fotográficas. muitos tipos, muitas cores, muitos tamanhos. vou fazer arquivologia só pra poder catalogá-las. imagino até o dia em que eu tiver minha própria casa com o meu próprio armário com as minhas próprias crises.

antes de encerrar o pensamento, ainda posso citar mais crises com a fotografia, que são atualmente as que mais me incomodam. porque, meu deus, eu carrego o valor de um carro nas costas com equipamentos e coisas se qualquer imbecil com qualquer câmera digital tabashot nessa vida faz o que eu faço? e se não faz com a mesma qualidade, o photoshop tá aí pra mascarar os talentos. e "mais pior" ainda que isso são as pessoas que compram camêras grandes e só entendem dois botões: o on-off e o disparador. e nessas eu já ouvi falar de gente assim que tira foto de casamento cobrando o que eu e o pedro cobramos... vezes oito. e dai dá vontade de sair por aí lutando que nem tigre na selva por um cliente? i don't think so.

o negócio vai ser fazer um livro novo. procurar uma razão nova pra acreditar que minhas fotos valem alguma coisa e que eu vou ter que começar a colecionar selos ou borboletas se quiser levar gatinhos pra casa. a quem interessar possa, polaramine eu já coleciono.


postado às 20:27 |

23.8.08


e todo mundo dançando she lion, 1 2 3 e JÁ!


postado às 17:27 |



tirei o dia. tirei só pra mim e pra mais ninguém. agarrei o dia, a gente saiu pra fazer compras. três digitos para o inferno, comprei. me joguei no comércio. fiz de workshop de combustivel anel, fiz de congresso de direito camiseta e de casamento, calça pra pilates. fiz mágica e transformei meu dinheiro em um monte de coisas. sou mulherzinha, transformei minha cutis em mascara de argila branca e tô fazendo uma força descomunal pra transformar minha tristeza em auto-estima. porque eu tô aqui, você aí e westminster está em londres. será que há duvidas de quem será escolhido?


postado às 16:53 |

21.8.08


alguém, em algum dia em que eu não estava presente pra me defender, disse que na vida eu tinha três missões: plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. a árvore eu plantei já faz muito tempo, o livro eu escrevi já tem um ano... mas filho? porra, não dá pra trocar por outro livro ou por outra árvore, não?


postado às 20:26 |

20.8.08


recebi um email do idd cursos, me oferecendo um fabuloso curso para melhorar meus relacionamentos. bial, tô sentindo um cheiro de conspiração universal pra me ver sem sutiã. vira essa camera pra lá, ok?


postado às 21:55 |



há uma semana atrás eu vivi uma quarta-feira muito melhor. mas como aquela não pode ser vivida de novo, tentei pular para a próxima. e na próxima tinha a dre completamente esquecendo que tinha que acordar para trabalhar. o mais bonito é que isso fez com que eu me atrasasse baldes e me livrasse completamente do trânsito infernal de cada dia que me dá sempre um cabelo branco a mais. atrasada como cheguei, perdi. perdi a oportunidade única de passar cinco horas na frente de uma farmácia acompanhando um assalto com reféns finalizado com dois tiros e um assaltante apresuntado. em vez disso, tive a oportunidade, primeiramente, de ir pra uma reunião de não sei com quem com não sei quem que acabou logo que encontramos o local. quem precisa fazer fotos do acontecimento, mesmo? e depois. bom, depois eu tive a chance de ir pra um lugar chamado samambaia cheirar pó - diminutivo de poeira - e procurar hantavirose. tá, hantavirose não era a pauta, mas onde eu fui parar tenho certeza que devia rolar. e no meio dos matos, dos lixos, dos restos de tv, dos entulhos e dos sofás furados, a repórter dá mole pro pedreiro. sem maiores explicações. e eu ali, montando a fabrica de tijolos no meu cabelo. pra voltar, alguns kms de sono no carro. porque dormir é bom. quando você dorme não pensa, se não pensa, não sofre. mas eu sofri de calor e de fome. subway tomate seco mussarela de bufala dupla queijo prato quente no pão integral com alface rucula cebola pimenta calabresa e NOVE KILOS de maionese. quero morrer cedo, ok? nostalgia, praça de alimentação do segundo grau. as lojas mudaram de cara, de nome e de comida. o colégio não é mais no shopping, minhas amigas não estão mais lá. o anarquista não come mais mcdonald's pra comemorar seu próprio aniversário. vazio. dali pra frente, um remorso. não fui pro assalto mas tive a oportunidade de fotografar quiosques de churrasquinho fedorentos que estão em local irregular, como quase tudo em brasilia. só aqui o governo tem que colocar placas avisando que alvará é necessário para construir. mas eu gosto tanto tanto tanto daqui e dessas repetições loucas e dos encontros e reencontros que eu decidi ir embora. e dessa vez é pra valer. inglaterra, dinamarca, suécia, espanha: doesn't matter.

as long as i be away from here.


postado às 21:20 |

19.8.08


paciência não é meu forte.

esperar você também não vai ser.


postado às 13:56 |

18.8.08


eu nunca quis filhos. na verdade, eu continuo não querendo. mas situações hipotéticas e mente fértil, quando se encontram, pode ser um estrondo. hoje fui pra delegacia da criança e do adolescente tirar foto de uma tesourinha. oi? TE-SOU-RI-NHA. daquelas que tem na lista escolar, sem ponta, pequena, sem graça, e normalmente bem cega. um pequeno delinquente juvenil ficou com raiva de um coleguinha no colégio e resolveu... TESOURÁ-LO!

me imaginei daqui uns, hm, 20 anos, dando recomendações muito específicas para um possível filho, antes de ele ir pra escola: "não fale com estranhos, não cole na prova, não responda a professora, não ataque seu colega com uma tesoura, não roube desinfetante do banheiro pra jogar no olho do amiguinho e nunca, NUNCA, jogue gasolina e taque fogo em alguém que te ofendeu".

é tipo a especialização das relações familiares. o negócio é dar instruções específicas sobre situações específicas com pessoas específicas.

tenho medo do futuro.


postado às 22:38 |

12.8.08


amanha eu vou fotografar 80 embaixadores. oi, como fas? pelo que eu entendi, é um debate sobre biodiesel, que eu já nem sei se é tão relevante assim. mas de um jeito ou de outro os caras são relevantes. vai que eu fico amiga de uns 5 deles. daqui uns anos vai ser como a embaixada do egito: desde que eu intermediei alguma coisa no meu extinto emprego na radiobras entre a tv e a embaixada, nunca mais parei de receber anualmente, NA MINHA CASA, convite pro coquetel de comemoração dos xis anos de ascensão do rei que, pasmem, eu não consigo nem pronunciar o nome.


postado às 22:06 |

4.8.08


estamos ficando velhos: eu e o porão do rock.

eu tenho 24, ele tem 11. mas é um 11 tipo de cachorro assim, que multiplica por 7 ou 8. então, como um bom velho de 77 anos é cheio de manias e cacoetes imbecis. posso começar a falar do grande apartheid musical promovido por aquela área vip infinita que divide imprensa, vips e puxa-sacos das pessoas que só se dispuseram a pagar 15 reais pra ver algumas horas de show. existem n-meios de se fazer um espaço privativo para gente idiota de nariz em pé sem acabar com a alegria do resto da população que, combinemos, é quem realmente ainda enche o dito maior festival da região. eu du-vi-do que um dia eles consigam 10mil pagantes vips. mesmo que conseguissem, o cheiro de arrogância ia fica insuportável.

mas lá estávamos com aquelas coisas batidinhas de sempre ai minha nossa. pitty, dona do maior fã-clube-histérico do recinto, parecia estar fazendo um especial de uma hora pra mtv: só hits. matanza, pela terceira vez em palcos porãonenses, conseguiu juntar um público sensivelmente maior que o suicidal tendencies, headliner da noite. aliás, meu coração pro suicidal e pro mike muir, que botou os seguranças em pânico quando resolveu encher o palco de fãs aloprados.

ao contrário dos outros anos, a velha aqui só foi ver o velho lá no final dos dias. ambas as noites cheguei faltando apenas quatro shows para acabar os eventos dos palcos principais. e mesmo assim, super cansei, super não vi nada de emocionante acontecendo, super senti vontade de voltar pra casa, deitar na minha cama de pijama, ver séries e me entupir de chocolate. não sei mais se as pessoas brigam, se rolam fogueirinhas, se a comida é ruim e o banheiro químico é chacoalhado por bêbados aleatórios.

estamos todos lá em prol do rock underground que traz... o muse. e olha que muse de underground não tem nem a vontade, nem o set list e muito menos a produção. não há nada mais pop star d que restringir a entrada de fotógrafos no pit de imprensa por apenas duas músicas que são amavelmente iluminadas com luz vermelha, o caos de todo fotógrafo proibido de usar flash. mas confesso que ver o pianinho, o megafone e o matthew bellamy tão de perto fazendo aquelas coisas absurdas com a voz e com a guitarra é tipo PRICELESS.

mas como nem só de reclamação vive a dre, posso falar que o porão aprendeu alguma coisa em todos esses anos: que botar as bandas no palco na hora pode ser bom pra todo mundo, que organizar as coletivas em grupos de várias bandas ao mesmo tempo pode ser mais prático e que lugar de tenda eletrônica é em rave na chapada dos veadeiros.

fotos aqui.


postado às 22:08 |



etc...
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